Viajar faz parte da minha essência, desde muito cedo sempre gostei de conhecer lugares, pessoas, culturas por acreditar que isso nos faz crescer, ampliar possibilidades, sair do “quadrado” em que por vezes nos colocamos. Aqui vou falar sobre uma das viagens marcantes, realização de sonhos... Peru!!!!
Vendo algumas notícias sobre o Peru, imediatamente lembrei-me da viagem que fiz por lá e senti vontade de compartilhar esses momentos com vocês.
Nos últimos meses do ano 2006 recebi um convite: “vamos ao Peru?” não pensei duas vezes e mesmo diante de algumas condições impostas respondi sem pensar: Vamos... quando? Ali estava a possibilidade de realizar um dos meus muitos sonhos. Sim, porque como qualquer mortal, tenho vários sonhos, projetos, desejos e quereres.
O roteiro foi preparado a dois, muita pesquisa sobre os lugares, o que poderíamos ver, quais os transportes, hospedagens e tudo o mais que antecede para que a viagem saia a contento.
Chegou o dia tão esperado pelos “ilustres” turistas, véspera de Natal, com passagem pela Colombia, que essa é uma estória a parte para outro dia. Finalmente Peru. Primeira parada em Lima apenas para pernoitar. Dia seguinte, logo cedo embarcamos para Cuzco, de avião, e de lá para Machu Pichu. Início da realização do meu sonho. Nesse momento tive mais uma vez a certeza de que tudo acontece no dia que tiver que acontecer, muitas vezes de forma inesperada. Vários anos havia planejado e não acontecia. Tive a paciência, esperei o dia certo!
Como falei, primeira parada, Cuzco. Fomos para o único Hotel que havíamos reservado. Deixamos as malas, pegamos o necessário e partimos para Machu Pichu, primeiro de táxi ate a próxima estação de trem, já que havíamos perdido o horário que nos possibilitava sair da estação em Cuzco. Entramos no trem que nos levaria ao nosso destino principal.
Lindas paisagens!! Em cada uma delas me vinha um pensamento de gratidão! Chegamos a Machu Pichu. O sonho se concretizando. Eu estava ali, naquele lugar que tanto desejava estar e conhecer, pedaço por pedaço, história por história.
Da estação de trem fomos providenciar um hotel para ficarmos na cidade de Águas Calientes, na realidade é um povoado onde têm vários restaurantes, pousadas e serviços para todo o turista que vai visitar Machu Pichu. Fica localizada em um vale a 450 m. abaixo da cidade Inca. Ruas estreitas, com muitas lojas e barracas com produtos locais.
Muito interessante observar as pessoas que circulam diariamente. A diversidade é incrível. Todas com o objetivo de conhecer um pouco dessa história tão intrigante, tão mágica. Conhecemos algumas delas. Algumas sozinhas, outras acompanhadas. Estórias de aventuras!
Rompemos a passagem de ano lá, nesse ambiente diversificado, numa noite fria de temperatura e quente de energias. Posso dizer que foi uma passagem não apenas de 2006 para 2007 e sim de forma de pensar, de repensar, de trocas de energias.
No dia seguinte, pegamos um micro ônibus que nos levaria ao parque arqueológico. No ônibus fomos avistando as lindas paisagens de uma floresta tropical e surpreendidos por crianças nativas que vieram nos saudar, na realidade queriam um trocadinho em troca de algumas fotos conosco.
Chegamos e procuramos um guia que nos mostrasse aquela cidade encantada. A localização realmente é privilegiada e não é sem motivos que muitas pessoas a visitam e outros ainda sonham em conhecê-la. Sua beleza é indescritível! Machupicchu significa Pico Velho. O ponto mais alto da cidade fica no Huayna Picchu que significa Pico Novo.
Fica a interrogação: porque escolheram aquele lugar tão inacessível, uma cidade encravada no meio das montanhas e vales a aproximadamente 2450 metros acima do nível do mar? Estava eu ali, refletindo sobre isso, no meio daquela misteriosa e rica cidade, nos meio dos seus templos, dos cemitérios, das casas, tudo tão bem dimensionado, tão organizado. A cidade é distribuída em diversos setores. Não estava sonhando... era a mais real e pura realidade. O sonho sonhado, agora vivido e experenciado.
A cada degrau de pedra que eu subia notava a perfeição e ficava impressionada com tudo o que via. Antes de viajar, pesquisando sobre o local, li que alguns pesquisadores acreditam que essa cidade enigmática teria abrigado algo semelhante a um convento para as Virgens do Deus Sol. Dizem também que a cidade foi fechada “quando o soberano Inca morreu”. Fiquei me perguntando: o que levou de fato seus habitantes a deixarem essa cidade tão meticulosamente planejada? A resposta faz parte do mistério que ainda ronda Machupicchu. Esse “templo” sagrado dos Incas é merecidamente considerado uma grande obra inteligente e uma grande inspiração do ser humano.
Ter experenciado tudo isso nesse santuário é algo que ficará para sempre na minha lembrança e na minha vida.
O fato é que eu estava li, naquela civilização Inca, carregada de enigmas, de sabedoria, de vibrações de seres superiores. Fiquei meio aturdida, meio zen, meio fora de mim. Ainda assim não perdi o eixo, o centro de mim mesma.
Viajei no tempo e no espaço e me transportei. Fiquei com muita paz, como se algo ou alguém estivesse trazendo luz, certezas de algumas coisas, dúvidas de outras
Fiz meus pedidos, divaguei e vaguei entre aquelas montanhas e ruínas.
E de repente o meu sonho realizou ainda mais, brindado pelo arco-iris. Momento mágico para mim que amo esse fenômeno da natureza e, segundo o nosso guia, era raro acontecer.
A emoção invadiu meu coração, meus sentimentos, minha alma e chorei, chorei muito. A sensibilidade do meu ser veio à tona e me tornou receptiva aquela energia.
Mergulhei em mim mesma e ali me conheci um pouco mais, me questionei, me desnudei.
Foram poucos minutos e foram intensos.
Dei graças ao nosso Criador e no meio daquela beleza indescritível e de toda aquela magia, reconheci o quanto somos pequenos e ao mesmo tempo grandes e privilegiados por sermos suas criaturas.
Chegou o dia de voltarmos para Cuzco. Tomamos o trem e mais uma vez fiquei maravilhada com o que via, as paisagens, o rio, o caminho...
Chegamos a Cuzco a tempo de presenciarmos uma procissão pela cidade. Todos com a vestimenta típica, muita música e alegria.
Fomos para o Hotel e logo mais saímos para conhecer a cidade. A catedral belíssima, como tudo naquela região. Chovia e as fotos não saíram boas. Estar ali era tudo muito bom.
A cidade pela sua história tem também uma influência espanhola que se mistura à arquitetura Inca. Podemos ver a igreja de Santa Clara e San Blas.
Vimos nativas vestidas com chapéu, pollera (saia rodada) e uma trouxa às costas.
No dia seguinte fomos conhecer os arredores, os sítios arqueológicos e conhecer a região do Vale Sagrado dos Incas ou Maras e Moray.
Entre Ollantaytambo e Pisaq está o Vale Sagrado dos Incas, com seus personagens vestidos tipicamente e com suas ricas paisagens.
Lá conhecemos os templos, o mundo dos Incas e continuei encantada com aquela cultura, aquela inteligência e aquelas crenças.
O inimaginável Templo do Sol,os elementais, a água do nada, a sombra dos que acreditavam, as festas, as arquitetura inteligente, a vida. É lá que acontece anualmente o Inti-Raymi – Festa do Sol
A cidade sombria, talvez permeada pelas almas que ali habitavam e ao mesmo tempo a cidade templo, invadida dos mistérios e das energias daquelas inteligências que ali estiveram.
De Cuzco fomos para Naska...
“Há mais mistérios entre o céu e a terra do que a nossa vã filosofia pode imaginar”.
Foi com essa frase que meditei sobre tudo o que vi, ouvi e senti ali no deserto, no meio do nada e no meio do tudo.
Olhando as múmias refleti sobre o legado daquele povo.
Ao sobrevoar nas linhas de Naska esqueci da emoção do vôo e do medo, para sentir a emoção do que víamos naquele imenso deserto, tão bem traçado nos seus caminhos e tão carregado de mistérios
As linhas traçadas e tão enigmáticas são percebíveis quando o piloto faz as diversas curvas, o sobe e desce para que pudéssemos vislumbrar aquelas imponentes figuras:macacos, beija-flores, lagartos, trapézio... "eram os deuses austronautas"??? Existem algumas teorias e estudos sobre essas linhas, ainda nenhuma comprovação. Para mim o que importa é que essas linhas estão carregadas de energias daquele povo, com todas suas tristezas e suas alegrias, com todo o seu roteiro de vida.
Senti que éramos privilegiados de estarmos participando dessa civilização que muito deixou para a humanidade. Todas as explicações dadas pelos guias se tornaram poucas diante do que víamos e vivenciávamos.
Em toda essa viagem, vimos a dualidade da Natureza, a mesma que como ser da natureza trazemos dentro de nós. Vimos a vegetação, a água e também o deserto, o árido, o claro e o escuro.
E assim mergulhada nessa emoção terminou a nossa viagem ao Peru. De lá fomos para Colombia que muito tenho a falar numa outra oportunidade.
Ter vivido esses dias nessa civilização me fez regressar ao meu lar maior do que quando parti, trazendo na “bagagem” muito conhecimento, muitas emoções e sentimentos indescritíveis e muito vivenciáveis. Foi um momento de transformação interna e cultural. Sou muito grata à vida, a esse convite que ela me fez e me possibilitou aceitar.